A Promessa do Futuro, de Cornelis P. Venema, nos apresenta à vasta gama de ensinamentos bíblicos a respeito de escatologia sob uma perspectiva amilenista.

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Autor

Dr. Cornelis Venema é Deão e Professor de Estudos Doutrinários no Mid-America Reformed Seminary, Dyer, Indiana. Doutor pelo Princeton Theological Seminary com um trabalho sobre a teologia de Calvino, Venema já serviu como pastor da Christian Reformed Church em Ontario, Califórnia e South Holland, Illinois.

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Livro

Capa do livro A Promessa do Futuro

A promessa do futuro é fruto de um longo e paciente estudo da Bíblia. Essa é a razão por que se trata de um livro satisfatório e adequado para o cristão ler. Em suas páginas, a voz de Deus não é silenciada pelas filosofias humanas, mas sim, fala por si só. Neste livro, o leitor descobrirá que sempre há um chão sólido das Escrituras debaixo de seus pés.

 A promessa do futuro nos apresenta a uma vasta gama de ensinamentos bíblicos a respeito de escatologia (o estudo das coisas finais). Salienta, de forma correta, que, nas Escrituras, a dimensão escatológica nunca é relegada “ao fim”. Pelo contrário, desde o princípio, os propósitos de Deus têm uma perspectiva escatológica. Além disso, como apontou Simão Pedro no Dia de Pentecostes, a ressurreição de Cristo e o dom do Espírito significam que o futuro invadiu o presente e, dessa forma, nós já estamos vivendo os “últimos dias”. Isso ajuda a explicar os sentimentos de animação e vibração que caracterizavam os primeiros discípulos de Cristo. Eles perceberam que o novo e tão esperado reino de Deus já havia rompido durante o advento do Senhor Jesus Cristo.

VENEMA, Cornelis P. A Promessa do Futuro. São Paulo: Cultura Cristã, 2017. 448 p. | 16×23 cm, brochura | ISBN – capa dura: 978-85-7622-644-4 | Título original: The Promise of the Future

“O novo e tão esperado reino de Deus já rompeu durante o advento do Senhor Jesus Cristo.”

Cornelis P. Venema

Recomendação

A Promessa do Futuro nos apresenta à vasta gama de ensinamentos bíblicos a respeito de escatologia (o estudo das coisas finais). Salienta, de forma correta, que, nas Escrituras, a dimensão escatológica nunca é relegada “ao fim”. Pelo contrário, desde o princípio, os propósitos de Deus têm uma perspectiva escatológica. Além disso, como apontou Simão Pedro no Dia de Pentecostes, a ressurreição de Cristo e o dom do Espírito significam que o futuro invadiu o presente e, dessa forma, nós já estamos vivendo nos “últimos dias”. Isso ajuda a explicar os sentimentos de animação e entusiasmo que caracterizavam os primeiros discípulos de Cristo. Eles perceberam que o novo e tão esperado reino de Deus já havia rompido durante o advento do Senhor Jesus Cristo.

Sinclair B. Ferguson

Resenha (review)

Por Filipe Cardoso (FB | IG)

A Promessa do Futuro foi escrito por Cornelis P. Venema e publicado pela Banner of Truth (2000). Esse livro, com toda a certeza, é de grande benefício tanto para pastores, mestres e seminaristas, quanto para presbíteros e membros eclesiásticos. O livro pode ser usado para a realização de bons estudos nas classes de ensino, bem como, para realização de trabalhos acadêmicos. Eu certamente indico a leitura especificamente para seminaristas que estejam a procura de material sólido acerca do amilenismo.

O livro é dividido em seis partes centrais, baseadas nas ideias sobre o futuro. O livro também possui um glossário abrangente, o que facilita a orientação de quem precisa de uma pesquisa direta. A parte um e dois do livro, abordam de forma sucinta, a cerne sobre o futuro visto com olhos escatologicos, após a primeira vinda de Cristo, junto com a explanação do “Estado Intermediário” e as heresias que importunam esse meio. O livro abrange os efeitos da volta de Cristo e as promessas bíblicas referentes aos eventos do porvir.

Nos capítulos da parte cinco do livro, o autor comprova a sua posição amilenista ao contrastar com as outras vertentes escatologicas e suas visões. Venema se apresenta como um “amilenista otimista” e dialoga com com as fraquezas do pré-milenismo histórico e dispensacionalista, bem como o pós-milenismo.

Em meio a todo atual movimento defensor da heresia do aniquilacionismo e da psicopaniquia, Venema apresenta agradáveis defesas às ideias de que a Bíblia leciona acerca do castigo eterno e o estado após a morte. O autor exibe os ensinamentos bíblicos a respeito dos temas de forma tranquila e respeitosa aos Escritos Sagrados, mantendo-se direto e coerente com as bases apresentadas. De fato, Dr. Venema trabalha de forma única e excelente ao defender as posições bíblicas a respeito do tema.

O autor conclui sua valiosa obra, caracterizando o destino da criação no tempo futuro. De forma cirúrgica, Venema argumenta que todas as coisas serão renovadas e toda a criação será “purificada de toda a mácula e resquício do pecado”, o que afetará de forma geral, a perspectiva da criação. Quero ressaltar a posição do autor que mais me chamou atenção. Venema aponta que devemos nos apegar na esperança do retorno de nosso Redentor e, não, buscar incessantemente por sinais e marcas que comprovam a proximidade da vinda de Cristo, uma vez que esses sinais sempre existiram e atestam o retorno do Messias desde o seu nascimento.

Eu suponho que o autor poderia ter dado mais oportunidade ao pós-milenismo em sua obra, uma vez que se trata de uma posição contrária, mas de grande interação com o amilenismo. Também senti carência de detalhes da parte do autor, ao falar sobre nossos pais e suas posições escatológicas.

Este foi o meu primeiro contato com as obras do Dr. Venama, no entanto pude desfrutar de um bom conteúdo sem temer alguma discordância bíblica. Espero poder apreciar suas outras obras e aprender mais com este valoroso irmão.

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Resumo

Por Filipe Cardoso (FB | IG)

Dr. Cornelis P. Venema, é autor e escritor do livro A promessa do futuro, que tem, segundo ele, uma visão bíblica concernente aos fatos que estão por vir. Baseado nisso, o presidente e professor de estudos doutrinários no Mid-America Reformed Seminary e pastor associado da Redeemer United Reformed Church em Dyer, em Indiana, tece comentários profundos, de grande embasamento nas Escrituras, a respeito da Escatologia e tudo o que a isso compreende, assim como a glorificação do corpo; o novo céu e nova terra; os “sinais do tempo”, entre outros pontos, onde ele toma para si o termo “concomitante”, para abordar a esses acontecimentos aguardados. Adepto e defensor da visão Amilenista, ele a trata de maneira bastante positiva e esperançosa em todo o seu livro.

Na primeira parte, das seis que possui, o livro trata das revelações contidas nas Sagradas Escrituras a respeito do Messias que o SENHOR prometera ao seu povo. Contudo o autor aborda, também, as promessas da pós vinda de Cristo, algumas cumpridas, outras não, e nisso se baseia para adentrar no contexto geral do livro, que é a posição escatológica bíblica.

Na sua segunda parte, Venema discorre sobre o Estado Intermediário, no qual explica que se refere ao futuro entre a morte e a ressurreição. Cornelis defende a posição bíblica de que a esperança do crente não está baseada somente na imortalidade da alma, todavia se baseia, também, no princípio bíblico da imortalidade do corpo, uma vez que este deve ser glorificado. Venema se utiliza de uma das perguntas do Catecismo de Heidelberg para defender essa vertente. O autor apresenta duas, bem estruturadas, bases bíblicas a respeito do estado já citado (p. 68, 70). Antes disso, ele apresenta dois pontos de vista contrários a este, o Aniquilacionismo e a Psicopaniquia, expondo, após isto, argumentos favoráveis e contrários a esses segmentos (p. 59, 61). Venema encerra a parte dois de seu livro com uma boa análise dos dogmas referentes à doutrina do purgatório onde a refuta com vigor.

Na terceira parte do livro, Venema dá início à uma introdução geral acerca da escatologia, assim apresenta os ensinamentos bíblicos referentes à segunda vinda de Cristo Jesus. O autor apresenta fielmente os aspectos relacionados ao advento de Cristo, apontando bases fundamentadas biblicamente. A partir dessas bases bíblicas, Venema protege a crença de que o advento do Messias será um marco na história da Igreja, onde será posto um fim ao tempo atual e será aberto o tempo onde viveremos com Ele, Cristo, na glória dos céus.

Cornelis apresenta a ideia de que o tempo da volta de Cristo está próximo. O autor deixa a se entender que devemos nos apegar ao exemplo da Igreja Primitiva, onde nossos irmãos, juntamente com os apóstolos, esperavam animadamente pela volta do Messias e dedicaram suas vidas à esse aguardo esperançoso. Venema apresenta a ideia de que não devemos nos apegar a sinais, nem tentar calcular o tempo do advento, pois nossa esperança está na promessa de Cristo, e não no tempo em que o Senhor cumprirá sua promessa.

O futuro marcado pelos “sinais do tempo”, é como o autor intitula a quarta parte do seu livro, que, mediante a um título tão descritivo, é totalmente eficaz em inteirar o leitor do assunto que será tratado, fazendo isso de forma mui didática. Ao tomar a palavra “sinal”, vestígio, indício ou prova são os mais comuns do seu significado. Venema, ao falar sobre estes indícios, diz que o dia do SENHOR está próximo, e, primeiro se atém aos sinais da graça de Deus, fazendo até mesmo a afirmação de que “talvez o sinal mais importante dos tempos” seja, de fato, a pregação do evangelho, diligentemente feita pelos eleitos que aguardam com fé e esperança o grande Dia.

É enfatizado por Venema que, no entanto, há visões distorcidas do que sejam esses “sinais do tempo”, ele diz que alguns afirmam se tratar de eventos que ocorrerão em sequência, durante um curto espaço de tempo, e, tal posicionamento é inverídico, pois, “parece ser óbvio” que a Bíblia trata esses sinais desde a ascensão de Cristo, até sua vinda. Outra visão equivocada é a de que “os sinais do tempo” servem como um relógio, e apontam para uma data em que Cristo retornará, e a Palavra de Deus desfaz tal visão, pois “porque não sabeis a hora que há de vir o vosso SENHOR” (Mt 24:42). O autor ainda cita Lucas 17. 20- 21 e Apocalipse 13. 13-14, onde faz alusão àqueles que pensam que os “sinais” se tratam de acontecimentos extraordinários, sendo que as Escrituras não o dizem assim, e, por fim, conclui esse tópico falando sobre a importância de buscar a verdade bíblica.

“De modo irônico”, segundo o autor, “embora os sinais sejam considerados como indicadores do futuro”, vários deles fazem referência ao passado, assim como guerras, rumores de guerras, terremotos. Tais acontecimentos, se fizeram no passado, assim como se fazem hodiernamente, e devem apontar sempre para a constante presença dos santos aos pés do SENHOR, o aguardando com vívida devoção.

Venema ainda fala sobre a prevalecente oposição dos poderes das trevas contra o reino de Deus, é claro, no entanto, que o autor não deixa dúvidas quanto à certeza da vitória triunfante de Cristo Jesus, nosso SENHOR. Mas, é mediante a essa perseguição que se baseia para falar da Tribulação vivida pela presente era; era essa que segundo ele [Venema], é vigente desde a ressurreição do Filho de Deus. O autor faz referência ao que Jesus disse aos seus discípulos, no Sermão da Montanha (Mt 5:10-12). A amizade com Cristo, é inimizade com o mundo, e todo o que sofrer por amor do Pai celestial, tem parte com Ele. Os alertas quanto aos maus tratos foram contundentes nas Santas Escrituras.

Seguindo para a quinta parte, Venema busca dissertar sobre as distintas posições referentes ao milênio. Venema faz uma breve introdução a cada uma destas posições. Nessa parte do livro, ele deixa clara a sua posição amilenista e demonstraser um “otimista” (p. 308) em relação a sua posição que frequentemente é tachada comopessimista ao longo da história.

Venema destina seus parágrafos centrais a reprochar do Pré-milenismo e o Pós-milenismo. Este trás crítica ao Pré-milenismo, apresentando debate mono vocálico sobre sua hermenêutica e sua semelhança entre Israel e a Igreja. Assim, refuta toda essa vertente.

Ao falar do Pós-milenismo, Venema entra na teoria pós milênio de que haverá a chamada “Idade de Ouro” (p. 201) onde a Igreja receberá grandes bênçãos do SENHOR, onde o Evangelho terá grande voz entre as nações. O autor nota que essa vertente é adotada por alguns reconstrucionistas, o que aparentemente se refere a semelhança com o Amilenismo e cita alguns desses reconstrucionistas (p. 200). Ao criticar o pós-milenismo, Cornelis declara que essa posição peca ao se calar a respeito dos ensinamentos bíblicos a respeito da participação do sofrimento com Cristo e seus discípulos e alterar o foco da esperança do cristão em seu Salvador para o próprio milênio.

Venema diz: “Os eventos que vamos considerar são apropriadamente denominados ‘concomitantes do segundo advento’ por Charles Hodge em sua Teologia Sistemática”, apesar de achar a definição um tanto quanto abstrata, diz que “capta bem a ideia”. Nesta parte seis, o autor dá um prognóstico, baseado na Palavra de Deus, desses eventos futuros, que são: “a ressurreição dos mortos, os justos e os injustos; o julgamento final por Cristo de todos os seres humanos; a eterna punição do descrente e perversos no inferno; e a criação do novo céu e a nova terra.”. Venema volta a falar sobre o Estado Intermediário, dizendo que a Bíblia não respalda a esse, e que é na morte, que o crente passará a ser mais próximo de Deus (2 Coríntios 5. 1-9).

Ainda na parte seis, Venema se dedica a falar do Corpo, ou melhor dizendo, da natureza do corpo da ressurreição, e para tal, usa a própria pessoa de Cristo Jesus, quando morreu, e após três dias ressuscitou. O escritor argumenta que “o mesmo corpo em que o Senhor sofreu e foi crucificado é agora ressuscitado e glorificado”, e mesmo o fato de o túmulo se encontrar vazio, testemunha à favor que o espírito não estava desvinculado do corpo. Venema ainda cita o evangelho segundo Lucas, para dizer que quaisquer dúvidas – no que diz respeitavam a este ponto -, ali, seriam sanadas.

Um outro “concomitante”, segundo Venema, é a renovação de todas as coisas, que para ele, tem relação direta com a glorificação do corpo dos filhos de Deus, para o autor não teria sentido a dissociação entre um fator e outro, já que a criação do SENHOR sofre por conta de corrupção que habita no mundo caído. Venema usa as referências bíblicas para comprovar que “o termo usado para descrever a corrupção da criação em Romanos 8 é usado em 1 Coríntios 15. 42-50 para descrever a corrupção do corpo”. Venema ainda aborda a respeito de questões pastorais, e, chega a achar ter se excedido em alguns planos em sua explanação, mas, termina esta parte de seu livro citando 1 Pedro 1. 3-5, no qual o versículo 3 diz: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos.”

Em suma, o autor apresenta as vertentes escatologicas e suas variantes, buscando aprensentar uma orientação a cada uma delas no intuito de defender a posição que o mesmo adota.

Venema se devota ao Amilenismo e informa o contraste do Amilenismo com as demais posições escatologicas em aspectos teologicos e históricos.